PSIQUÊ: 2011

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

TUDO A SEU TEMPO

É incrível como vamos sempre adiando tudo e mesmo assim temos a percepção de que o tempo é sempre escasso. Por mais que criemos mil planejamentos parece que estamos sempre ocupados. Está enraizada em nós essa mania estúpida de sempre deixar tudo pra depois. Estamos sempre julgando que é cedo ou tarde demais para tomarmos determinada atitude, sempre alegando que o que mais temos é tempo. Triste engano. O relógio da vida está correndo e nós sabemos que o agora não mais voltará.
Estive matutando sobre a importância de estar realmente presente no presente e como raramente fazemos isso. Estamos sempre atribulados com preocupações tantas que nos perdemos no caminho. Mas, temos que nos conscientizar de uma vez por todas que para se aproveitar adequadamente essa vida só deve existir pra nós um único momento: esse exato instante.
A cada manhã nos é creditado 86.400 segundos e todas as noites o saldo é debitado como perda, sendo impossível acumulá-lo para o dia seguinte. Todas as manhãs nossa conta é reiniciada e todas as noites as sobras do dia se dissipam. Não se iluda, não há volta. O tempo não espera por ninguém.
            O ontem deve permanecer na história, com suas lembranças e experiências de derrotas e vitórias. Algumas memórias ficarão guardadas para sempre, mas devem permanecer somente aí, no seu devido lugar. O amanhã é um mistério que não nos pertence, está muito além de nossa competência. Mas o hoje sim é uma dádiva abundante e infinitamente preciosa e é com ele que devemos sempre estar.
            A verdade é que deveríamos somente nos ocupar. Deixar de lado todas as possíveis pré-ocupações ou pós-ocupações. Não é inteligente sofrer com uma espera que nunca se deixa de esperar. Ficar se martirizando com memórias passadas ou roendo as unhas pensando no que ocorrerá é tão útil quanto arregalar os olhos na escuridão para enxergar melhor ou ficar andando de um lado pro outro para a ansiedade passar.          
            É inútil todo esse sofrimento afobado. Tudo deve permanecer no seu tempo devido. Simplesmente devemos deixar que o ontem ou o amanhã cuidem de si mesmos. O tempo naturalmente cura suas mazelas. Cada dia traz consigo seus próprios martírios e  leviandades. É incompreensível começar a dançar antes que a música toque ou continuar dançando depois que ela finda.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

RECONSTRUÇÃO


Construímos nossa vida acreditando em certezas aprendidas, nos sacrificando, sufocando sentimentos, justificando erros, matando desejos. E, de repente, tudo que construíamos, explode, desaparece. A certeza era farsante.
E o que fazer, quando nosso castelo de sonhos desmorona de forma estrondosa e definitiva? Se lamentar? Pra que? Lamentos nunca levaram ninguém a lugar algum. Culpar os outros? Resolve algo agir assim? Largar mão de tudo e se entregar ao desalento? São muitas opções, porém para as pessoas verdadeiramente corajosas, só resta um caminho a seguir: Reconstruir o que se ruiu, seja lá o que for... Não há outra saída.
Posso dizer que especialmente hoje estou em um processo de profunda reconstrução. E a vida é assim mesmo, um fazer, refazer, construir, demolir, reconstruir. E assim vamos indo, até o fim dos tempos. Nossas carreiras, relacionamentos, amizades, inimizades estão continuamente se modificando. Nada possui o caráter da permanência, da perpetuidade. Absolutamente tudo é aprendizado.
E estou nessa fase de grande aprendizagem. Embora tudo esteja desmoronando por todos os lados, vejo que só tenho a agradecer, principalmente pela oportunidade de realmente aprender. Foram somente três meses, mas vividos intensamente. Amizades sinceras e aprendizado contínuo sobre humildade e respeito. Apesar de tudo, sinto que valeu a pena. Quando dizem que tudo vale a pena, parece sempre que é clichê demais, muito batido, mas é a pura verdade. Espero ter aprendido essa amarga lição, porque assim nada disso terá sido em vão.  
Agora é só juntar os cacos e ir adiante, vencer o desânimo, a falta de perspectivas e continuar, pois desistir é um ato de extrema covardia que espero nunca cometer.
Estou revendo todas as minhas prioridades de vida e tentando me reconstruir. Posso dizer que uma parte de mim foi embora ontem com os acontecidos e desejo ardentemente que tenha sido a parte ruim. Preciso e irei lutar contra meu leão do mal para continuar minha jornada e cumprir o meu destino.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Á ESPERA


Sinto que estou sempre esperando. Parece que nunca chega o meu momento. Nunca é a hora certa. Isso às vezes cansa. Esperar sempre esgota. Estressa. Ter a sensação de que falta algo, algum complemento para a vida causa inquietação na alma. Posso dizer que quero somente a minha outra parte, a minha verdade escondida, a qual não sei o que é nem onde se encontra, fatos que aumentam nossos abismos, tornando-a ainda mais desejada. A sensação não passa em nenhum momento. Tenho até a impressão de que aumenta a cada dia em vez de retroceder. Tento me alegrar, afinal seguindo a lógica, quanto mais espero, menos tenho que esperar. Mas cansa. Estar sempre a espera, sem muitas vezes ter a noção exata do que se está realmente esperando é angustiante. Devastador. Esperar, esperar, esperar um pouco mais. Até quando? Quando irei finalmente aproveitar a vida? A minha hora nunca chegará? Essas perguntas me atormentam cada vez mais. E as respostas me faltam. Isso esgota as forças, esvai as esperanças. Parece-me que somente eu tenho que esperar tanto assim. Vai surgindo uma irritação anormal, beirando a desespero. Não é muito fácil explicar. É uma sensação horrível. Como se estivéssemos em um aeroporto ou em uma rodoviária esperando por alguém sem conhecermos essa pessoa e sem possuir nenhuma plaquinha para identificação. Vemos uma quantidade interminável de aviões, ônibus, pessoas se encontrando, se despedindo, se abraçando, chorando, sorrindo, vivendo suas histórias, enquanto estamos estagnados, imóveis, apenas observando todos apressados, se esbarrando uns nos outros. E o que nos resta são perguntas e interrogações sem fim: será que quem procuramos está mesmo por aqui? Como o encontraremos? Mas afinal o que buscamos? Como encontrar algo que não conhecemos? É um beco sem saída, na verdade. Um abismo a nossa espera, em que estamos sempre dando um passo pra trás, retrocedendo, para não cair na imensidão sem fim. Algum dia talvez encontre. Ou não. Quem sabe. Viver é incerto demais. Enquanto não acho o que preciso vou andando, sempre a espera, sempre observando todos que passam, tentando encontrar o meu destino. Se o encontrarei não posso dizer, mas uma certeza interna mais forte e corajosa que eu me diz que sim, que também me esperam nalgum lugar e que nos esbarraremos em algum momento desta trilha meio desconexa. Enquanto isso não acontece, continuo a minha caminhada. E o único resquício de alegria é a incerta certeza de que nos esbarraremos em alguma esquina por essas estradas da vida. Há de acontecer.

domingo, 6 de novembro de 2011

DORES OCULTAS


Tenho notado que perdi totalmente o interesse e ânimo na vida. Não sei explicar, venho percebendo que tudo não faz o menor sentido. Até busco lutar contra esses sentimentos tão mesquinhos, mas é bem difícil não se deixar contaminar.
            Ando mais triste que o normal, mais desanimada, mais injuriada do que seria aceitável e nem sei dizer as razões e nem mesmo se existem.
Tenho tido vontades arrebatadoras de chorar tão frequentemente que me assusta, aliás, tenho chorado muito mais ultimamente e aparentemente sem razão suficiente.
É algo definitivamente inexplicável sob todos os aspectos. A vida tem deixado a desejar na minha opinião e eu tenho a decepcionado igualmente.
E quando se chega nesse ponto lamentável de desgosto iminente torna-se quase insuportável as dores no estomago, as dores de cabeça e as demais distorções corporais.
            Realmente não é fácil se perder pelo caminho. Se perder de si mesmo. Perder-se na imensidão das entranhas da vida. Quando penso quão fácil deveria ser tudo, mas não é, a gotícula de esperança que sempre sobra mesmo nos casos mais graves se dissipa lentamente.
A verdade é que acredito que complicamos demais com todas as nossas obrigações herdadas nem se sabe quando. A vida está aí, fornecendo a cada dia presentes maravilhosos a todos, sempre nos lembrando das maravilhas que existem e, principalmente, sempre nos indicando os tesouros inigualáveis que temos escondidos pelos cantos.
            Mas, tristemente nem sequer nos damos conta de todas as magnitudes da vida, porque estamos mais preocupados com todas as injúrias e calamidades do mundo que vamos simplesmente deixando-nos levar dia após dia num andar solitário e angustiante de quem continua sempre em frente mesmo com todas as dores ocultas nos sufocando, simplesmente porque parece muito mais digno que sentar-se a reclamar de tudo.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

LUTAS INTERNAS


Simplesmente me abrace. É tudo o que preciso. Gostaria tanto de ter alguém para me beijar e me abraçar nos mais variados momentos. Deve ser por isso que muitas pessoas não conseguem ficar sozinhas por muito tempo. Chega uma hora que essas pequeninas coisas vão fazendo uma falta imensa pra gente. E é quase impossível conseguir se abraçar sozinho e sair satisfeito. Não dá pra se sentir abraçado ou seguro somente consigo mesmo. Outros braços complementares fazem uma falta imensa.
Preciso tanto de um abraço, daqueles de urso, só pra ver se conseguia acalmar um pouco esse meu coração desvairado. Só pra tentar seguir em frente sem tamanha insatisfação com tudo. Faltam dois braços pra me consolar nos momentos difíceis e pra dividir as alegrias nos momentos de glória.
Não posso negar que sou contraditória, muitas vezes ao extremo. Adoro ficar sozinha, só comigo mesmo, sem ninguém me perturbando, mas estou aqui neste momento dizendo que gostaria de ter alguém. Nem eu me entendo, esteja certo disso. Queria me apaixonar perdidamente, daquelas paixões que te fazem perder a cabeça, como nos filmes ou novelas, mesmo sabendo que provavelmente jamais conseguirei entregar minha vida dessa forma a outra pessoa.
Meu coração é meio arisco, não gosta de ficar vulnerável, devo dizer. E realmente não saberia te explicar por que então esse desejo louco de entregá-lo assim sem preocupação alguma com o que pode acontecer com sua integridade.
Acredito que seja mais um desses impulsos internos inexplicáveis que tem me dado nesses dias, essa vontade maluca de extravasar, de arriscar, de voar por outros céus, andar por outras ruas, viajar por outras estradas, tudo isso sem sair do lugar. Sei que tal aspiração não é possível, mas a desejo mesmo assim. Utopias me incentivam. Gosto de acreditar que tudo é possível se quisermos. Talvez seja mesmo ou não.
Mas tudo o que desejo mesmo neste exato instante é um abraço daqueles bem grandes, que chegam até a te sufocarem. Isso porque odeio ser pressionada e apertada. Realmente estou muito contraditória nesses últimos dias e nem sei explicar os motivos e nem mesmo se existem.
Gosto tanto de romances, principalmente daqueles que fazem de tudo pra separar o casal de pombinhos e mesmo assim eles enfrentam todos os obstáculos e ficam juntos no final. Talvez porque o amor é a força mais incrível que existe. E, no entanto, continuo aqui, sentada nessa mesma cadeira, nesse mesmo quarto, nessa mesma casa, nessa mesma cidade, fazendo sempre as mesmas coisas, indo aos mesmos lugares, tudo meio que programado, enquanto estou suplicando ao meu coração um pouco de aventura sem estar disposta a correr os enormes riscos que se sobrepõem.
Não é possível se entregar pela metade, ou se doar parcialmente, e é por essa razão que ando tão desgostosa com minha vida, comigo mesma, porque não sei se consigo tal abnegação. Uma força interna vive me invadindo, tentando amenizar essa resistência, mas parece que não tem conseguido grandes resultados. Vive perdendo a batalha. E enquanto isso acontecer infelizmente continuarei a gritar, a implorar, mesmo que secretamente, por alguém pra abraçar.
Esse desejo não morrerá, por isso espero que em algum momento consiga sair vitoriosa dessa luta, para que finalmente consiga acalmar esse meu frágil coração que tanto clama por companhia.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

DIAS ERRADOS


Há dias que definitivamente não deveriam existir, ou pelo menos, nós é que não deveríamos ter levantado da cama jamais. Dias em que absolutamente tudo o que poderia acontecer de errado com você e até mesmo o que não poderia realmente acontece.
Acredito que você tem uma pequena amostra de como tudo se desenrolará já ao amanhecer. Existem dias em que tudo já demonstra os desastres que terá de passar. Dias em que acordamos sobressaltados com a hora, não encontramos nada de interessante para comer, ou ainda temos que enfrentar discussões e problemas sem fim. Já se percebe que as coisas não andam tão bem assim.
Ao sair para o trabalho já se sucede o impensável. Bate-se o carro. Atropela-se alguém. Trânsito infernal. Tudo parece conspirar contra você. E não se engane, é exatamente isso que está acontecendo.
No decorrer do dia, mais catástrofes. Trabalho acumulado não tem onde mais colocar na mesa. Seu chefe não para de pegar no seu pé. E contas e mais contas a pagar. Só notícias desastrosas por todos os lados. Você até pensa em se esconder, mas não tem pra onde fugir.
Em alguns momentos mais serenos, que são raríssimos nesses dias, em que parece que tudo finalmente entrou nos eixos, eis que surgem sempre mais e mais problemas a serem resolvidos num ciclo interminável de desgostos. Tudo o que você consegue ver nesses dias são estresse, nervosismo, discórdia, pessimismo. Você segue em frente já esperando pelo próximo evento turbulento, que logicamente ocorre logo em seguida, em questão de minutos.
Quando finalmente encerra seu dia de trabalho e parece que nada mais pode acontecer com você, eis que existem mais surpresas a sua espera. Volta-se para casa e parece que tudo está ainda pior. Mais caos por todos os lados. Pra onde olhe encontra tudo o que mais detesta. Nesses dias, não há escapatória.
O que resta de dias desastrosos é somente dores de cabeça intermináveis, insônia profunda, uma angustia dilacerante no peito e a certeza de que há momentos que deveriam ser completamente apagados, existem dias que não deveriam ser escritos.

domingo, 4 de setembro de 2011

ESFORÇO EM VÃO?


Gosto de pensar que tudo tem um propósito, nada é em vão. Talvez esteja certa, embora nem sempre acredite.
É difícil você perceber que tudo o que você fez, lutou, não valeu nada aparentemente. Sei que tudo vale a pena, mas a sensação de desânimo nos domina ao nos darmos conta que não conseguimos nenhum resultado concreto por nossos esforços. É muito decepcionante e bem difícil não desanimar.
Sei também que as lutas não são em vão, sempre nos trazem algo, nem que sejam experiências novas, o que já é algo ótimo, mas o saber não impede o sentir.
Mesmo sabendo que nada é em vão, que tudo será recompensado algum dia, que tudo tem um propósito, ao perceber que concretamente ainda não enxergamos nenhum resultado, isso nos abala e, mesmo sabendo, não é possível evitar o sentir, o desanimar, o desacreditar. O sentir supera o saber.
Ainda bem que tudo são apenas momentos e que eles passam. Amanhã estarei melhor.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

DIAS CRONOMETRADOS


Eu não me sinto mais no tempo. Não vejo mais os dias. Não consigo exprimir minhas vontades nem ressaltar minhas verdades. Meus sentidos estão totalmente deturpados, destituídos de qualquer sensação exata. Deixo-me levar pelas profundezas das horas, meses e anos sem ter força alguma para lutar contra a enxurrada de compromissos que não queria assumir.
Mas ultimamente percebo que não temos muitas escolhas perante toda essa lastimável realidade. Estamos condenados a cumprir papéis e horários descabíveis que muitas vezes nem sequer lembramos quando foi que nos comprometemos.
E tudo continua sempre igual, dias repetidos, dias tumultuados, dias turbulentos, dias pacíficos, dias e dias sem fim, num ressonar interminável. Dias que são tudo, menos vividos. E é com um grande pesar que percebemos que nem os aproveitamos.
Não vemos o sol nascer, não reparamos no pôr-do-sol, mal nos damos conta das leves brisas de fim de tarde, perdemos o espetáculo das estrelas e da lua praticamente todas as noites, e tantas outras perdas que poderia citar, simplesmente porque estamos tão dominados pelas obrigações que as horas nos impõem.
Nossos sentidos estão cada vez mais precários, nossas vidas estão cada vez mais vazias, nossas horas contadas minuciosamente. Não temos mais nem espaço para respirar direito nesse mundo tão exigente.
Com todas essas entranhas, não é mesmo de se estranhar que as pessoas estejam como estão, todas perdidas, confusas, desumanas. Estamos sendo tratados como máquinas, sem direito a reparações nem descanso.
E vejo que toda essa nebulosidade está bem longe de ter final, somente vão se prolongando as reduções dos dias e aumentando as implicações das horas, enquanto estamos todos embriagados pelas circunstâncias.
Só desejo que uma luz pacificadora venha para nos libertar dessa angustiante trilha, moldando-nos um destino mais límpido e humano, trazendo de volta nosso antigo mundo, com dias mais longos ou obrigações menos esmagadoras.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

JOGO DA VIDA


É estranho pensar como são tristes e suntuosos os caminhos da vida. Por mais que você se esforce, sempre há coisas pendentes a serem resolvidas e aceitadas.
Nada é certo nesse mundo tão hostil e degradante. E embora seja até revigorante, certas vezes a realidade parece nos embriagar com suas exigências descabíveis. Estamos sempre nos descabelando com imprevistos e obrigações tantas que quando percebemos não se tem mais o que fazer.
Resolvi recentemente tornar-me amiga do tempo, embora sua hegemonia seja tão imperiosa. Mas mesmo assim não deu muito certo. Ele continua a me passar para trás descaradamente, sem piedade alguma. O tempo continua sempre em frente, impetuosamente, sem olhar para os lados. E nós, meros reféns de suas vontades, passamos por ele sem nem repararmos na crueldade com que tudo sempre acaba.
Não é de se estranhar mesmo que as pessoas todas perdidas e confusas se deixem levar por momentos de angústia profunda e se matem, alguns aos pouquinhos, outros instantaneamente.
Num mundo tão destrutivo e insano é até difícil nos deparar com pessoas sãs. Até estranho quando alguém parece “normal”, sem nenhuma entranha psicológica a se considerar. Realmente estão todos doidos nesse planeta, se deixam levar por todas as obrigações e exigências do mundo moderno, sempre buscando por redenção, lutando para conseguir coisas mundanas, como se assim fossem realmente ser felizes.
Tenho até pena de todos nós humanos que nos deixamos levar pelos emaranhados cruéis das aparências, sem nem ao menos nos rebelar ou lutar por uma vida em liberdade.
Por que afinal não somos livres. Estamos desde os tempos mais longínquos lutando por ela, mas nunca a possuímos e jamais a teremos verdadeiramente. Sempre haverá algo a nos prender, as aparências, os costumes, a realidade cruel e desoladora. Espero que nalgum tempo possamos finalmente lutar e sair vitoriosos perante esse jogo da vida.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

À PROCURA


Não sei o que quero da vida. Achei que já tinha passado dessa fase de tantas dúvidas a respeito do caminho que devo seguir, mas parece que não. Novamente as mesmas indagações de outrora me sufocam, me deixam sem ar e não tenho as respostas. Somente dúvidas e mais dúvidas me cercam, dominando todo o meu ser.
            O que fazer daqui pra frente? Qual o melhor caminho? Perguntas que tanto me atormentaram no passado recente continuam a me amedrontar, tirando meu sono. Ainda não superei, não sei as escolhas, não consigo decidir. E é sempre tão angustiante essa realidade.
Preciso saber a direção a ser seguida, não gosto de ir me levando ao léu sem saber o destino. É importante pra mim saber o que quero, pra onde vou, quais as oportunidades e as saídas existentes. É realmente desagradável não saber. O que faço, o que deixei de fazer, o que farei, tudo é essencial para meu viver. O presente, o passado e o futuro é o que sou, o que fui, o que tornou assim e o que me transformará. Todos esses tempos são fundamentais para minha análise de vida.
Valeu a pena? É esse o caminho? São perguntas inevitáveis em minha cabeça e essa minha busca de não sei o que vive atormentando meus sonhos. Preciso encontrar meu caminho, meu destino. Estará aqui ao meu lado? Aqui tão perto? Ou se encontra bem pra lá, do outro lado da ponte? Preciso descobrir minha verdade. Preciso encontrar o que procuro, que apesar de não saber o que é, o sei bem. Terei de reconhecê-lo quando chegar o momento certo.
Enquanto isso, vou seguindo sempre em frente. Indo rumo ao desconhecido, mas sei que de alguma forma o encontrarei e que quando for a mim revelado será melhor que todas as minhas doces lembranças e mais mágico que todas as minhas memórias.
Apesar de meus passos serem meio pequenos, sei que encontrarei o que tanto busco, para enfim me libertar dessas loucas indagações atormentadoras. Acredito que está me esperando e que nos encontraremos na hora certa. Enquanto isso, só espero, e vou vivendo como dá. Nem sempre é fácil, muitas vezes é desanimador, mas continuarei até o fim, até conseguir encontrar essas respostas tão mágicas que estou a procurar.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

SOBRE NOSTALGIA


Tem dias que fico assim. Meio assim. Deixo-me embalar pelas canções suaves do passado, que me torturam e encantam simultaneamente. E não me venha exigir explanações, é algo simplesmente inexplicável.
O saudosismo me invade tão intensamente que me arremata deixando apenas uma tristeza profunda, um vazio doloroso no peito. Fico tão arrebatada por todas as lembranças esmagadoras que surgem, simplesmente porque sei que algumas coisas jamais irão acontecer novamente.
E perceber que elas estarão somente em minhas doces lembranças, ou no máximo, registradas em algumas fotografias amareladas escondidas em algum lugar no armário, dói, me devasta completamente.
Quando as noites nostálgicas me dominam, fazendo-me recordar de todas as proezas incríveis pelas quais já passei, mostrando-me todas as pequenas lembranças encantadoras da minha breve vida, as coisas ficam estranhamente complicadas. Dolorosamente intrincadas.
Bem que poderíamos reviver sempre os nossos melhores momentos, a qualquer hora que quiséssemos. Assim, todas as nossas saudades já não nos poderiam atormentar, mas as coisas nem sempre são perfeitas.
Sei que, na verdade, deveria ficar imensamente feliz por tudo, por ter tido a oportunidade de viver todos esses momentos plenos de felicidade, mas não consigo me alegrar verdadeiramente, porque o tempo sempre implacável me mostra que nada jamais será igual, jamais viveremos novamente a mesma situação, da mesma forma, com a mesma intensidade, simplesmente porque as coisas mudam. Nós mudamos. Jamais voltaremos a ser os mesmos daqueles instantes extraordinários.
E o que fica das noites nostálgicas não é somente a vontade de voltar no tempo pra viver pelo menos mais uma vez aqueles momentos incríveis que algum dia tivemos. O que atormenta mais é incerteza do futuro. Nós sabemos de todos os instantes esplêndidos do passado e por isso mesmo essa nostalgia aterradora. E o que resta é somente uma questão, a pergunta decisiva e que tanto inquieta meu tênue coração: Será mesmo que dias melhores virão? Espero que sim. Suplico que sim.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

INDAGAÇÕES


O que me entristece nessa vida é saber que apenas um ato poderia modificar tudo, a vida toda. Uma outra escolha e tudo seria diferente. E não poder descobrir se teria sido melhor ou não estar em outro caminho é o mais difícil nesse mundo, pelo menos para mim.
Saber de todas as possibilidades que nos foram apresentadas e perdidas por causa de uma escolha que fizemos por considerarmos o melhor para aquele momento. Mas foi realmente o melhor? Eis a questão atormentadora de meus pensamentos.
Absolutamente tudo poderia ser diferente, bastaria modificar algumas escolhas ou ações para que outra perspectiva totalmente nova se formasse em nossas vidas.
E é exatamente essa “possibilidade” que mata, que enlouquece. As coisas seriam melhores hoje se tivesse feito outra escolha naquele momento? Seria melhor se tivesse escolhido outro caminho, tomado outra atitude? Essa incerteza é que destrói.
Tudo seria bem mais fácil se simplesmente pudéssemos vivenciar todas as possibilidades e somente depois escolhermos a que mais nos agradou. Mas as coisas nem sempre são como desejamos.
Fazer o que! O jeito é se conformar em não saber. Algumas perguntas jamais serão respondidas; e se não aceitarmos essa verdade aterradora enlouqueceremos.
É... A vida é realmente magnífica e misteriosa e incrivelmente torturosa para os pensantes.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

PERSEGUIÇÃO IMPLACÁVEL


O tempo é inevitavelmente implacável. Ele não se importa com nossas promessas e esperanças. Ele simplesmente não dá a mínima para nós nem para nossos anseios e planos.
Segue seu próprio ritmo, implacável, intransponível, sem sequer olhar para os lados. Sempre em frente ele continua, contra tudo e contra todos. E quando se vê, já era. Já foi... Já não é mais... Já nos perdemos no caminho.
O seu lema é girar e girar, andar e andar, incansavelmente, enquanto nos rendemos perante sua indiscutível hegemonia.
Ninguém pode detê-lo, por mais poderoso que seja, por mais importante que seja, não tem jeito, seremos sempre reféns de suas vontades.
Não adianta brigar, discutir, manipular, torturar, ele jamais cederá e sempre em frente seguirá. Sempre andando continuará, sempre poderoso ele será. Não há o que fazer, nenhuma força jamais o deterá.
Implacavelmente ele passará, levando nossos sonhos, promessas, anseios, e sempre levando com ele um pouco de nós. E não há como pegá-lo, quando pensamos em fazê-lo já o perdemos na sua imensidão.
Como diz o ditado, quando não podeis com eles, junte-se a eles. E essa é a única saída. O jeito é nos deixar levar, sempre seguindo seu compasso, jamais perdendo-o de vista, sempre escutando seus passos, seguindo seus caminhos, até quando ele não mais nos perseguir.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

DESTINOS EXTRAVIADOS


Tenho pensado muito ultimamente, sobre tudo, mas principalmente sobre você. Não é fácil se dar conta de todos os erros, burradas e desastres que cometemos nessa vida.
E embora você nem desconfie, gostaria que soubesse que pra mim o que ocorreu ou não ocorreu foi um dos meus piores erros. Podemos tudo nessa vida, mas se arrepender de algo que jamais saberemos se resultaria, simplesmente porque não aconteceu, é uma das mais terríveis sensações desse mundo.
Realmente me arrependo por nós, mas também sei que não adianta muito, pois não se pode voltar no tempo nem se comandar o coração. Tudo deve ter acontecido como deveria, embora às vezes ainda perceba um resquício de angústia no meu peito quando penso em tudo que abandonamos.
Sei que não há mais o que se fazer, nem da minha parte, nem da sua, o conjunto de renúncias que fizemos fez com que tudo acabasse dessa forma. Não que tenha terminado mal, afinal nem começou, o que quero dizer é que encerrou-se esse capítulo sem nem ao menos o apreciarmos direito.
Mas, de certa forma, tenho certeza que você cumpriu a sua parte, mostrou sua evolução, demonstrou que realmente aprendeu com o passado. Talvez seja eu que ainda não tenha compreendido todas as implicações necessárias. Acredito que mais essa vez tenha sido suficiente para a concretização total de nossa aprendizagem. Se não foi, tudo bem, nada está perdido, ainda temos todo o tempo do mundo para aprendermos corretamente.
Não sei se foi dessa vez, espero que sim, mas o importante é que quando realmente houver aprendizado, então não haverá absolutamente nada a se lamentar. De qualquer forma, acredito que tudo realmente tenha resultado da melhor maneira possível diante das circunstâncias e que para ambos não havia nem haverá muito mais a ser feito dessa vez, o que não é nenhum desastre nem final infeliz, somente um parágrafo mais melancólico de um texto esplêndido.
Só sei que o destino sempre continuará a tentar desatar os nós que nos cercam e que estaremos sempre nos esperando em algum lugar para que possamos viver plenamente tudo isso. Algum dia ocorrerá, quando terminar nossa carga horária de separações. Até lá, desejo uma imensa sabedoria e persistência a nós dois, para quando finalmente nos encontrarmos no compasso correto do destino, possamos finalmente viver a mais bela história de dois corações transviados.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

FALTA ALGO

Eu não entendo porque me sinto assim. Tudo parece estar tão ótimo, tão certo, tudo no seu devido lugar, mas nada parece bom. Não dá para entender, para me entender, simplesmente não consigo.
Sei que falta algo, mas o que? Alguém pode me dizer?
Eu deveria agradecer infinitamente por tudo, mas sei lá porque estou ou sou insatisfeita.
Quero mais do mundo. Quero mais de mim principalmente. Estou em dívida. Com quem? Nem sei.
Falta algo, só não me pergunte o que. Sei que não deveria faltar nada, tenho uma vida ótima. Muitas pessoas sonhariam em ter uma vida tranqüila dessas, parece que só eu que não.
Quero tranqüilidade e ação. Calmaria e paixão. Verdade e encanto. Sei lá o que quero. Queria viver de forma diferente, sem a lamentável sensação de estar desperdiçando algo tão valioso como viver...
 

terça-feira, 17 de maio de 2011

SOBRE IRRITABILIDADE


Eu raramente me irrito. Posso dizer que sou bastante tolerante. Surpreendo-me um pouco quando isso acontece, logo penso que é TPM. Mas hoje sei que não tem nada a ver com isso, pois essa irritabilidade da qual estou falando não se trata da irritação normal que temos com as outras pessoas. É bem mais complexo e difícil. Estou profundamente irritada comigo mesma e isso chega até a me amedrontar. Isso é completamente anormal, costumo ser tolerante demais comigo. E acredito ser essa a razão principal da minha irritação. Sou tolerante demais e não enxergo ou escondo minhas burradas, minhas fraquezas, meus problemas, não somente dos outros, mas principalmente de mim mesma.
Estou irritada, pois percebi que não tenho uma relação completamente aberta com ninguém, nem comigo mesma.
Fico pintando o mundo de cor-de-rosa e escondendo as partes feias e estragadas da vida. Enganação pura. Procuro disfarçar sempre minhas imperfeições, tentando muitas vezes justificá-las. Inútil. Não quero ser cega. Quero enxergar. Tenho de enxergar. Já basta perceber que o mundo todo se encontra cego, tenho que ser diferente, tenho de enxergar e agir, o mais importante. Não adianta só enxergar, é imprescindível agir. A ação é o mais importante. E essa minha inércia me irrita tanto que não tenho palavras para descrever.
É triste quando você chega ao ponto de se irritar consigo mesma, com suas características e personalidade, mas também libertador. Não somos perfeitos, jamais seremos. E, livres dessa pretensa ilusão, a vida torna-se mais aprazível e nossos fardos muito mais leves de se carregar.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

REALIDADES INSANAS


O mundo está cada vez mais insano. As pessoas somente trabalham, trabalham, trabalham e não vivem, ou melhor, fazem do seu trabalho a sua vida, como se somente isso fosse suficiente para se viver.
A vida é valiosa demais e os seres humanos cada vez mais distantes de sua verdadeira origem se deixam levar pelas loucuras do mundo atual.
O tempo já não passa, voa na velocidade da luz, os dias simplesmente se escorrem e, na grande maioria das vezes, nem o vemos passar direito, de tão atarefados que estamos com as insanidades da vida.
As pessoas só pensam em ter cada vez mais e se perdem de si mesmas durante o processo aquisitivo.
O caminho é a vida, e tristemente estamos preocupados demais em chegar logo que os minutos se esvaem sem piedade alguma, sem nem ao menos podermos vislumbrar as magnitudes do universo. Afinal, não há tempo para isso, não há tempo para se viver.
As luzes se apagam, as cortinas se fecham e a vida se escorre por nossos dedos, enquanto estamos preocupados demais com as insanidades do mundo.
Trabalhamos, trabalhamos, depois trabalhamos mais um pouco. E pra que? Por quê? Somente para cumprirmos o papel imposto pelo mundo. A sociedade nos massacra com suas exigências descabíveis e caímos na sua rede de hipocrisias muitas vezes sem notarmos.
Consumimo-nos aos poucos, a cada dia. Temos que ser cada vez mais, ter cada vez mais, e no fim acabamos por não sermos absolutamente nada, apenas um vazio, uma extremidade oca.
E há algo a ser feito para mudar isso? Eis a pergunta-chave, libertadora. Mas a verdade é que nem todas as respostas nos são dadas, muitas vezes não possuímos resposta alguma e geralmente é quando mais precisamos.
Enquanto isso, apenas as insanidades vão crescendo, consumindo-nos cada dia um pouco mais até que estamos tão sufocados, tão enclausurados, que realmente não existe mais o que se fazer, ou melhor, apenas continuamos, mesmo sem respirar direito, mesmo com uma perna meio manca, mesmo sem viver.
Apenas seguimos em frente porque nos parece ser o melhor a ser feito diante de circunstâncias devassadoras. Continuamos trabalhando, trabalhando e trabalhando um pouco mais, enquanto a vida se perde sem vivermos-la.
Quem dera a chuva que cai lá fora nesse instante, limpando o céu e o solo, pudesse também lavar a alma dos homens, purificando-os e retirando-lhes todas as impurezas existentes. Com certeza, o mundo seria um poço de luz, esperança e amor, um local mais digno e menos cruel e, consequentemente, menos insano.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O COMPASSO DO TEMPO


O relógio gira, sempre no compasso do tempo. As vezes nos parece ir tão rápido, noutras o consideramos mais como uma tartaruga, de tão devagar seu ritmo cadente. Tic tac, tic tac e já são três horas da manhã e tic tac, tic tac e são quatro da manhã e nem dormimos ainda. De repente, em outro momento, ele bate seis da tarde, depois de uma “eternidade” ele miseravelmente está indicando seis e cinco.
O tempo é assim. Segue seu próprio compasso, sempre nos diz que é o mesmo ritmo todo segundo, mas não, o tempo e a vida seguem seu próprio caminho sem nos pedir permissão, sem nos mostrar nossa estrada, sem nem ao menos nos indicar uma solução.
Tic tac, tic tac, ele se esvai, se escapa de nossas mãos, e olhando assim como um simples espectador dá uma aflição. É vida que se escoa, não minutos e segundos apenas. É vida... Nossa vida, nossos momentos, nossos caminhos desperdiçados, perdidos no tempo da inutilidade.
Pode-se dizer, mas o que passou, passou. Uma ova! As coisas não passam assim num piscar de olhos, a vida não pode passar assim.
Até amedronta-me ficar olhando para um relógio em movimento, vai dando um desespero se deparar com o presente virando passado em questão de segundos. O jeito é quebrar o relógio, o tempo não existe mesmo, é só ilusão. Mas não é bem assim. Mesmo quebrando os relógios e mesmo sendo verdade essa afirmação, não muda o fato do presente se tornar passado nesse instante, em apenas um segundo, não modifica a aflição de ver os momentos se arrastando rumo ao esquecimento em questão de tic tac.
Não adianta, a vida se esvai sem solução, desperdiçada covardemente, trazendo consigo o tão esperado futuro, já não mais distante pra junto de nós.

sábado, 30 de abril de 2011

NOITES NEBULOSAS


Venho buscando entender esses estranhos sentimentos há um longo tempo. Mas a verdade é não existem palavras nesse imenso vocabulário que possam explicar, mesmo que insuficientemente, o que sinto nessas tortuosas noites. 
É uma certeza triste, algo que me deixa ao mesmo tempo esperançosa e apreensiva. Não sei realmente como me tornar inteligível. Só sei que é uma sensação de angústia e alegria. Parece que alguém está a abrir inteiramente meu peito, ferozmente, e que apesar da inicial dor arrebatadora o que surge por detrás faz absolutamente tudo valer a pena. 
Algumas vezes sinto como se meu coração transbordasse, num ímpeto de ansiedade e desespero, me lembrando que tudo pode ser simplesmente uma fantasia irreal da minha mente sonhadora. 
Mas deixo-me levar pelas profundas certezas de uma noite, pois é muito mais belo e inspirador que ver tudo por linhas tristes e sem vida. Alegra-me saber que de alguma forma, embora não veja como, existe algo que vale absolutamente tudo, todo o tempo aparentemente perdido.
O fato de não ver claramente, de tudo ainda estar às vezes totalmente nebuloso não me incita a desistir, existe alguma certeza interna mais forte que tudo que me põe a caminhar, a correr, a jamais esmorecer.
E é por isso que apesar de parecer que seja ilusória essa minha intuição, a seguirei até o fim, não porque não me resta nenhuma outra saída, mas porque é a verdade que acredito. E isso faz qualquer esforço necessário ser ínfimo, só por existir essa vaga certeza de que em algum lugar, mesmo longínquo, estará a me esperar.   

domingo, 24 de abril de 2011

NOVO DIA


O sol sempre nasce novo a cada dia, trazendo com ele sempre um dia novo. Algo realmente maravilhoso! O único pesar é que isso não significa que os elementos do dia tenham de ser sempre novos, e geralmente não os são.
Deparamo-nos com a mesma velha rotina, o mesmo antigo marasmo de sempre. Descobrimos simplesmente que embora o dia tenha nascido novo, ainda permanecemos com os mesmos defeitos, as mesmas qualidades, os antigos medos, as mesmas velhas máscaras, tudo exatamente igual a todos os dias.
Mesmo o dia se apresentando brilhante, vivo, esperançoso, ainda estamos embriagados com os mesmos problemas tacanhos e mesquinhos de sempre, ainda atormentados pelas mesmas velhas preocupações de cada dia.
Um dia novo! Algo que deveria soar como libertação e coragem surge como uma velha caixa de som zunindo em nossos ouvidos ou como um enorme peso que carregamos sobre as costas. Não nos libertamos simplesmente porque tudo permanece igual, fazemos as mesmas velhas coisas de todo dia, temos os mesmos trabalhos, os mesmos desafios, até mesmo os nossos pensamentos são iguais. O nós de hoje continua sendo o nós de ontem, que é exatamente o mesmo que o da semana passada; tudo o que gostaríamos de evitar.
Mas o bom dessa história é que o sol sempre nasce novo a cada dia, trazendo com ele sempre um novo dia, nos proporcionando uma nova oportunidade de realmente viver um dia novo. E isso é algo que só cabe a nós decidir. Podemos fazer do nosso novo dia o dia velho de ontem ou dar a chance a nós mesmos de ser o dia mais magnífico de toda nossa existência.
Quando o sol raiar, só depende de nossa escolha ter um novo dia!

terça-feira, 19 de abril de 2011

PÁGINAS PERDIDAS

O calendário na parede denuncia um tempo que não volta, reflete vida desperdiçada na imensidão de dias sem sal. E vejo cada folhinha arrancada como uma possibilidade perdida, como se fosse retirada uma parte de mim cada vez que preciso abandonar esses dias marcados.
Mesmo assim, permaneço estática; embora corra demais. Sinto-me cada vez mais arrastada para um abismo estridente. Meus passos não acompanham minhas vontades, meus pés não seguem meus sonhos. E sequer tenho forças pra mudar a direção.
Um instante e o mesmo instante já pertence ao passado. E eu implorando pro tempo se acalmar. Mas o relógio na estante parece não se importar. Ele teima em seguir sempre em frente, chegando até a caçoar de minhas angústias latentes.
Num ímpeto de desespero, decido então arrancar suas pilhas, como se isso bastasse. Não serve de nada. Afinal, o tempo não é movido a ponteiros, segue sempre no seu compasso particular.
Ultimamente, o tempo tem parecido andar a passos cada vez mais largos, mais distantes, mais vazios. E essa minha vontade de fugir, de sumir, anda a me sufocar incessantemente, como se assim bastasse para que tudo se normalizasse. Mas não devemos nos enganar, o tempo não segue regulamento algum.
Gostaria apenas que ele andasse um pouco mais devagar, que ele diminuísse esse passo tão largo. Tento dizê-lo que tenho as pernas curtas e não posso andar tão rápido, mas ele parece não me escutar. Procuro dissuadi-lo que com toda essa pressa, ele está me atrapalhando, fazendo com que deixe coisas inacabadas, pela metade ao longo do dia, porque logo escurece e tudo volta ao zero novamente. Digo ao tempo que ele é muito egoísta e não pensa nos outros, e também que ele precisa brincar de caramujo, ou de bicho preguiça.
Embora pareça que não o importuno com minhas reclamações, continuarei a gritar, a implorar ao tempo que ele precisa me deixar aproveitar essa jornada um pouco mais, porque assim tão rápido, eu não consigo admirar a paisagem.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

FELICIDADE ETERNA

Todos nós buscamos a felicidade e desejamos possuí-la para sempre, como se assim nossa vida se tornasse perfeita. Mas o que nos esquecemos é que o ser humano não vive sem desafios, sonhos e problemas. Acredite! Não há vida sem tais elementos.
Estamos sempre reclamando de tudo, implicando que as coisas não dão certo pra gente, buscando incansavelmente por algo que não existe.
A verdade é que a felicidade não é a solução para nossos desencantos e nunca deve ser nossa busca primordial. Aliás, nem deve ser nosso objetivo nessa caminhada alcançar a felicidade, que é algo imensurável e imponderável do ponto de vista humano e que, mesmo se fosse possível, jamais nos completaria.
Afinal, assim como a história acaba quando se chega no “felizes para sempre”, a vida também terminaria se tudo fosse absolutamente perfeito e todos fossemos sempre felizes, pois não haveria história, não existiria vida. Uma vida inteira de felicidade! Jamais aguentaríamos tal realidade.
Mas, mesmo sabendo que a felicidade eterna não existe, inconscientemente a buscamos, porque sempre fomos levados a acreditar nela. Desde sempre somos enganados, sonhando com algo impossível, ansiando fervorosamente por algo totalmente irrealizável, quando o que deveríamos fazer é simplesmente aproveitar todos os momentos que nos são proporcionados, sejam eles bons ou ruins, sem expectativas, apenas nos deixando levar pelas inebriantes garras do destino.
E, se entregando nas mãos fugazes do dia-a-dia, certamente alcançaremos o que secretamente desejamos desde os tempos mais longínquos: a tão procurada e desejada felicidade. Não a eterna, mas a momentânea e passageira, que é a única possível e verdadeira.