Eu raramente me irrito. Posso dizer que sou bastante tolerante. Surpreendo-me um pouco quando isso acontece, logo penso que é TPM. Mas hoje sei que não tem nada a ver com isso, pois essa irritabilidade da qual estou falando não se trata da irritação normal que temos com as outras pessoas. É bem mais complexo e difícil. Estou profundamente irritada comigo mesma e isso chega até a me amedrontar. Isso é completamente anormal, costumo ser tolerante demais comigo. E acredito ser essa a razão principal da minha irritação. Sou tolerante demais e não enxergo ou escondo minhas burradas, minhas fraquezas, meus problemas, não somente dos outros, mas principalmente de mim mesma.
Estou irritada, pois percebi que não tenho uma relação completamente aberta com ninguém, nem comigo mesma.
Fico pintando o mundo de cor-de-rosa e escondendo as partes feias e estragadas da vida. Enganação pura. Procuro disfarçar sempre minhas imperfeições, tentando muitas vezes justificá-las. Inútil. Não quero ser cega. Quero enxergar. Tenho de enxergar. Já basta perceber que o mundo todo se encontra cego, tenho que ser diferente, tenho de enxergar e agir, o mais importante. Não adianta só enxergar, é imprescindível agir. A ação é o mais importante. E essa minha inércia me irrita tanto que não tenho palavras para descrever.
É triste quando você chega ao ponto de se irritar consigo mesma, com suas características e personalidade, mas também libertador. Não somos perfeitos, jamais seremos. E, livres dessa pretensa ilusão, a vida torna-se mais aprazível e nossos fardos muito mais leves de se carregar.

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