PSIQUÊ: Á ESPERA

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Á ESPERA


Sinto que estou sempre esperando. Parece que nunca chega o meu momento. Nunca é a hora certa. Isso às vezes cansa. Esperar sempre esgota. Estressa. Ter a sensação de que falta algo, algum complemento para a vida causa inquietação na alma. Posso dizer que quero somente a minha outra parte, a minha verdade escondida, a qual não sei o que é nem onde se encontra, fatos que aumentam nossos abismos, tornando-a ainda mais desejada. A sensação não passa em nenhum momento. Tenho até a impressão de que aumenta a cada dia em vez de retroceder. Tento me alegrar, afinal seguindo a lógica, quanto mais espero, menos tenho que esperar. Mas cansa. Estar sempre a espera, sem muitas vezes ter a noção exata do que se está realmente esperando é angustiante. Devastador. Esperar, esperar, esperar um pouco mais. Até quando? Quando irei finalmente aproveitar a vida? A minha hora nunca chegará? Essas perguntas me atormentam cada vez mais. E as respostas me faltam. Isso esgota as forças, esvai as esperanças. Parece-me que somente eu tenho que esperar tanto assim. Vai surgindo uma irritação anormal, beirando a desespero. Não é muito fácil explicar. É uma sensação horrível. Como se estivéssemos em um aeroporto ou em uma rodoviária esperando por alguém sem conhecermos essa pessoa e sem possuir nenhuma plaquinha para identificação. Vemos uma quantidade interminável de aviões, ônibus, pessoas se encontrando, se despedindo, se abraçando, chorando, sorrindo, vivendo suas histórias, enquanto estamos estagnados, imóveis, apenas observando todos apressados, se esbarrando uns nos outros. E o que nos resta são perguntas e interrogações sem fim: será que quem procuramos está mesmo por aqui? Como o encontraremos? Mas afinal o que buscamos? Como encontrar algo que não conhecemos? É um beco sem saída, na verdade. Um abismo a nossa espera, em que estamos sempre dando um passo pra trás, retrocedendo, para não cair na imensidão sem fim. Algum dia talvez encontre. Ou não. Quem sabe. Viver é incerto demais. Enquanto não acho o que preciso vou andando, sempre a espera, sempre observando todos que passam, tentando encontrar o meu destino. Se o encontrarei não posso dizer, mas uma certeza interna mais forte e corajosa que eu me diz que sim, que também me esperam nalgum lugar e que nos esbarraremos em algum momento desta trilha meio desconexa. Enquanto isso não acontece, continuo a minha caminhada. E o único resquício de alegria é a incerta certeza de que nos esbarraremos em alguma esquina por essas estradas da vida. Há de acontecer.

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