É incrível como vamos sempre adiando tudo e mesmo assim temos a percepção de que o tempo é sempre escasso. Por mais que criemos mil planejamentos parece que estamos sempre ocupados. Está enraizada em nós essa mania estúpida de sempre deixar tudo pra depois. Estamos sempre julgando que é cedo ou tarde demais para tomarmos determinada atitude, sempre alegando que o que mais temos é tempo. Triste engano. O relógio da vida está correndo e nós sabemos que o agora não mais voltará.
Estive matutando sobre a importância de estar realmente presente no presente e como raramente fazemos isso. Estamos sempre atribulados com preocupações tantas que nos perdemos no caminho. Mas, temos que nos conscientizar de uma vez por todas que para se aproveitar adequadamente essa vida só deve existir pra nós um único momento: esse exato instante.
A cada manhã nos é creditado 86.400 segundos e todas as noites o saldo é debitado como perda, sendo impossível acumulá-lo para o dia seguinte. Todas as manhãs nossa conta é reiniciada e todas as noites as sobras do dia se dissipam. Não se iluda, não há volta. O tempo não espera por ninguém.
O ontem deve permanecer na história, com suas lembranças e experiências de derrotas e vitórias. Algumas memórias ficarão guardadas para sempre, mas devem permanecer somente aí, no seu devido lugar. O amanhã é um mistério que não nos pertence, está muito além de nossa competência. Mas o hoje sim é uma dádiva abundante e infinitamente preciosa e é com ele que devemos sempre estar.
A verdade é que deveríamos somente nos ocupar. Deixar de lado todas as possíveis pré-ocupações ou pós-ocupações. Não é inteligente sofrer com uma espera que nunca se deixa de esperar. Ficar se martirizando com memórias passadas ou roendo as unhas pensando no que ocorrerá é tão útil quanto arregalar os olhos na escuridão para enxergar melhor ou ficar andando de um lado pro outro para a ansiedade passar.
É inútil todo esse sofrimento afobado. Tudo deve permanecer no seu tempo devido. Simplesmente devemos deixar que o ontem ou o amanhã cuidem de si mesmos. O tempo naturalmente cura suas mazelas. Cada dia traz consigo seus próprios martírios e leviandades. É incompreensível começar a dançar antes que a música toque ou continuar dançando depois que ela finda.

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