PSIQUÊ: NOITES NEBULOSAS

sábado, 30 de abril de 2011

NOITES NEBULOSAS


Venho buscando entender esses estranhos sentimentos há um longo tempo. Mas a verdade é não existem palavras nesse imenso vocabulário que possam explicar, mesmo que insuficientemente, o que sinto nessas tortuosas noites. 
É uma certeza triste, algo que me deixa ao mesmo tempo esperançosa e apreensiva. Não sei realmente como me tornar inteligível. Só sei que é uma sensação de angústia e alegria. Parece que alguém está a abrir inteiramente meu peito, ferozmente, e que apesar da inicial dor arrebatadora o que surge por detrás faz absolutamente tudo valer a pena. 
Algumas vezes sinto como se meu coração transbordasse, num ímpeto de ansiedade e desespero, me lembrando que tudo pode ser simplesmente uma fantasia irreal da minha mente sonhadora. 
Mas deixo-me levar pelas profundas certezas de uma noite, pois é muito mais belo e inspirador que ver tudo por linhas tristes e sem vida. Alegra-me saber que de alguma forma, embora não veja como, existe algo que vale absolutamente tudo, todo o tempo aparentemente perdido.
O fato de não ver claramente, de tudo ainda estar às vezes totalmente nebuloso não me incita a desistir, existe alguma certeza interna mais forte que tudo que me põe a caminhar, a correr, a jamais esmorecer.
E é por isso que apesar de parecer que seja ilusória essa minha intuição, a seguirei até o fim, não porque não me resta nenhuma outra saída, mas porque é a verdade que acredito. E isso faz qualquer esforço necessário ser ínfimo, só por existir essa vaga certeza de que em algum lugar, mesmo longínquo, estará a me esperar.   

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