PSIQUÊ

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

SOBRE LEVEZA


Adoro escrever, mas só o faço quando surge alguma força interna mais forte trazendo-me a tão desejada inspiração. Geralmente fico dias, semanas, até meses sem escrever uma única linha sequer e, de repente, não mais que de repente, começam a surgir lampejos inspiratórios tão grandes que vou recuperando todo o tempo perdido.
Escrever é uma terapia pra mim, não posso negar. Por isso não me pressiono para fazê-lo. Tem de ser algo agradável, sem pressão externa alguma, só assim a escrita encontra sentido em meu viver. Pensando bem, tudo a meu ver deveria ser algo leve, pois quando transformamos algo em obrigação, torna-se insuportável o seu peso.
É inevitável. Tenho que ser sincera e dizer que tudo que se torna obrigatório pra mim é difícil de aturar. Acredito que pra quase todo mundo. Sou a favor da liberação, não de forma desenfreada, mas tenho certeza de que a proibição aumenta todos os nossos abismos.
É necessário se ter regras e leis para regulamentar nosso viver, mas de preferência que estas não nos engulam com suas discrepâncias absurdas. Devemos encontrar equilíbrio em todos os setores para que possamos encontrar as tão sonhadas paz e harmonia.
Estar em harmonia com a vida, com o seu corpo, com as pessoas é um dos segredos mais importantes para a felicidade. Quando conseguimos encontrar um meio termo entre nossos desejos e a realidade certamente encontraremos condições, se não ideais, pelo menos plausíveis para dar continuidade à vida.
A liberdade move os homens desde os tempos mais longínquos e acredito que sempre moverá, está na natureza humana, nos desejos mais verdadeiros. Sentir-se livre e desimpedido é uma aspiração de todos os seres e essa liberdade somente será verdadeiramente possível para aquele que se dispor a aceitar a leveza em todos os seus afazeres diários, se liberando de “obrigações”.
            É claro que é insustentável essa leveza em 100 % dos momentos, mas devemos tentar alcançar a maior amplitude possível para conseguirmos levar a vida com tranqüilidade e harmonia, de forma a tornar esta estadia temporária mais agradável e satisfatória a todos os tripulantes.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

COISA SÉRIA


Coisa séria essa de viver, principalmente nesse mundo. É difícil estar aqui. Incompreensível... Vazio... Triste...
Na calada da noite, o coração se desmancha. Eu nem sei o que fazer nem o que esperar. Está tudo tão nebuloso, escuro, triste.
Promessas me são feitas no silêncio e ainda não cumpridas. Está tudo tão vazio.
Quando se começa a pensar, as coisas ficam complicadas... Seria muito melhor não pensar, mas como evitar? Contradições me abatem, me destroem e me  perco.
A vida está tão chata, tão monótona, tão vazia, tão triste, totalmente sem sentido. Parece que nada pode preencher. Estou tão desacreditada de tudo. Sei lá, as coisas estão estranhas demais. Nunca me senti assim antes, nunca mesmo. Cheguei a um ponto de insatisfação tão grande que mal consigo respirar.
 Às vezes parece que desejo algo e em outro momento já não o quero mais e nem sei se algum dia realmente o quis. É coisa séria... Esse vazio, essa insatisfação, falta de sentido, coisas estranhas. Sentimentos estranhamente confusos.
Parece-me que estou tão distante da linha de chegada e tudo o que mais queria era chegar logo. É tão triste viver nesse mundo, viver assim, sem graça, sem sal nem açúcar. Só queria cumprir logo meu destino para poder partir. Iria feliz.
É muito bom estar aqui sim, sentir-se vivo, viver, não posso negar. Mas esse não é o meu lugar, eu sinto. Não deveria estar aqui, mesmo sabendo que deveria.
As coisas não são em vão, mas são complicadas.
Que tristeza, meu Deus! Que desânimo. Sabe... Eu queria mais da vida. Muito mais e sei que essa vida queria mais de mim. Estamos nos decepcionando.
Estou sem forças até para escrever. Sem forças para viver. Está tudo tão triste e vazio. Sei que as coisas vão melhorar e elas precisam melhorar urgentemente senão não vale a pena se viver.
A vida é tão rara para ser desperdiçada assim.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

SOBRE GOSTOS


Gosto das noites e madrugadas. Gosto de som de saxofone e piano. Gosto do som da chuva que cai se esparramando pelo solo. Gosto do cheiro de terra molhada. Gosto do pôr-do-sol alaranjado. Gosto do azul do céu. E da lua na sua fase enorme. Gosto da lua em todas as suas fases. Gosto do brilho das estrelas. E de andar por aí sem destino. Gosto de abraço apertado. E de passear pelos jardins, principalmente em tardes de primavera. Gosto de ficar sozinha. Gosto do silêncio. Gosto de me sentir útil e valorizada. E de reviver doces lembranças do passado. Gosto do futuro e de acreditar que ele será tudo que sempre sonhamos. Gosto de sonhar. E de viver. Gosto de escrever. De ler. De escutar. E de sentir. Gosto de sorrisos sinceros. Gosto de sinceridade. E de empatia. Gosto de gostar de alguém. E de ser correspondida. Gosto de você. Gosto do som da música da alma. E de música. Gosto dos olhos das pessoas. Gosto de ser só. Gosto do outono com suas folhas esvoaçantes. Gosto do arco-íris. E de liberdade. Gosto de strogonoff, lasanha e bife a parmegiana. Gosto do mar e de vislumbrar a caída de suas ondas. Gosto da inocência de uma criança. E de sua imensa alegria. Gosto de perfumes e flores. Gosto de praças e ruas. Gosto de rios, lagos e oceanos. Gosto de água e de seu frescor. Gosto de azul, branco, vermelho e lilás. Gosto da minha família. E da minha casa. Gosto de dormir sem ter hora para acordar. Gosto de café da manhã na hora do almoço. Gosto de acreditar nas pessoas. Gosto de declarações apaixonadas. Gosto da realidade. E das manhãs frescas. Gosto de dias pacíficos. Gosto de presentes. Gosto de idéias malucas. Gosto da natureza. E do cantar dos passarinhos. Gosto da sombra das árvores. Gosto de frio. E de temperaturas amenas. Gosto de filmes. De livros. E de me surpreender. Gosto de imaginar e reinventar. Gosto de aprender e de ensinar. Gosto de me emocionar. Gosto de solidariedade. De exemplos dignificantes. Gosto de tudo simples. Gosto da felicidade. Gosto dos momentos únicos. Gosto do hoje. Do agora. Do ontem e do amanhã. Gosto do tempo. E das horas. De vida bem vivida. Gosto não se discute. Nem se lamenta. Gosto se aprende a gostar.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

VÊ SE NÃO DEMORA

           
            Vê se não demora tanto. Diminua um pouco estas nossas distâncias. Ajude-me a suportar a solidão que me invade sem sua presença. Não me puna tanto com essa sua ausência tão longa. Eu preciso tanto de ti. Será que não se dá conta? Vem logo me salvar dessa agonia que arromba meu peito toda vez que me vejo sem você por perto. Por que essa punição desnecessária? Vamos logo juntos alegrar nossas jornadas, tornar mais leve esses nossos caminhos esburacados e solitários.
            Não demore tanto dessa vez. Mostre-me sua face e me dê a mão que irei contigo até os cofins do universo, se preciso for. Vamos juntos descobrir a doce alegria de viver. Só contigo conseguirei, por isso não me deixe aqui sozinha junto a esses egoísmos todos, ilumina-me com sua doçura e desprendimento, que sei que possui. Venha me salvar de todas as minhas inseguranças tolas que me impedem de sorrir todos os dias. E vê se não demora.
            Vem alegrar-me com esse seu sorriso radiante, com seu abraço carinhoso e sua destemida atitude de combate. Estou te esperando. Não se demore tanto, por favor. Venha iluminar meu caminho com esses teus olhos mágicos. Vem ser minha estrela-guia neste labirinto insano que é esse mundo. Preciso de ti, de tua presença reconfortante, não deixe que me afogue nesse desespero que se torna a vida quando não estás comigo.
            A vida é curta, vem curar essas marcas que o tempo deixou. Prometo curar as tuas também. Ilumina essa escuridão, ajude-me a ultrapassar essa ponte de resistência. Contigo vou, é só me pedir. Não me importa pra onde precises ir, contigo irei. Só prometa-me não abandonar-me, segure minhas mãos e olhe nos meus olhos que não mais terei medo algum.
            Por favor, não te demores. Mas saiba que mesmo que demores, esperar-te-ei até o fim, porque sei que vale a pena. Também sei de alguma forma que virá aqui para me resgatar dessa solidão angustiante que me acompanha. Perceba que somente ti pode me ajudar, só quero a ti. Estarei sempre te esperando, as vezes pacientemente, outras não, mas te esperarei, não tenha dúvidas. Só te imploro: vê se não vai demorar.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

TUDO A SEU TEMPO

É incrível como vamos sempre adiando tudo e mesmo assim temos a percepção de que o tempo é sempre escasso. Por mais que criemos mil planejamentos parece que estamos sempre ocupados. Está enraizada em nós essa mania estúpida de sempre deixar tudo pra depois. Estamos sempre julgando que é cedo ou tarde demais para tomarmos determinada atitude, sempre alegando que o que mais temos é tempo. Triste engano. O relógio da vida está correndo e nós sabemos que o agora não mais voltará.
Estive matutando sobre a importância de estar realmente presente no presente e como raramente fazemos isso. Estamos sempre atribulados com preocupações tantas que nos perdemos no caminho. Mas, temos que nos conscientizar de uma vez por todas que para se aproveitar adequadamente essa vida só deve existir pra nós um único momento: esse exato instante.
A cada manhã nos é creditado 86.400 segundos e todas as noites o saldo é debitado como perda, sendo impossível acumulá-lo para o dia seguinte. Todas as manhãs nossa conta é reiniciada e todas as noites as sobras do dia se dissipam. Não se iluda, não há volta. O tempo não espera por ninguém.
            O ontem deve permanecer na história, com suas lembranças e experiências de derrotas e vitórias. Algumas memórias ficarão guardadas para sempre, mas devem permanecer somente aí, no seu devido lugar. O amanhã é um mistério que não nos pertence, está muito além de nossa competência. Mas o hoje sim é uma dádiva abundante e infinitamente preciosa e é com ele que devemos sempre estar.
            A verdade é que deveríamos somente nos ocupar. Deixar de lado todas as possíveis pré-ocupações ou pós-ocupações. Não é inteligente sofrer com uma espera que nunca se deixa de esperar. Ficar se martirizando com memórias passadas ou roendo as unhas pensando no que ocorrerá é tão útil quanto arregalar os olhos na escuridão para enxergar melhor ou ficar andando de um lado pro outro para a ansiedade passar.          
            É inútil todo esse sofrimento afobado. Tudo deve permanecer no seu tempo devido. Simplesmente devemos deixar que o ontem ou o amanhã cuidem de si mesmos. O tempo naturalmente cura suas mazelas. Cada dia traz consigo seus próprios martírios e  leviandades. É incompreensível começar a dançar antes que a música toque ou continuar dançando depois que ela finda.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

RECONSTRUÇÃO


Construímos nossa vida acreditando em certezas aprendidas, nos sacrificando, sufocando sentimentos, justificando erros, matando desejos. E, de repente, tudo que construíamos, explode, desaparece. A certeza era farsante.
E o que fazer, quando nosso castelo de sonhos desmorona de forma estrondosa e definitiva? Se lamentar? Pra que? Lamentos nunca levaram ninguém a lugar algum. Culpar os outros? Resolve algo agir assim? Largar mão de tudo e se entregar ao desalento? São muitas opções, porém para as pessoas verdadeiramente corajosas, só resta um caminho a seguir: Reconstruir o que se ruiu, seja lá o que for... Não há outra saída.
Posso dizer que especialmente hoje estou em um processo de profunda reconstrução. E a vida é assim mesmo, um fazer, refazer, construir, demolir, reconstruir. E assim vamos indo, até o fim dos tempos. Nossas carreiras, relacionamentos, amizades, inimizades estão continuamente se modificando. Nada possui o caráter da permanência, da perpetuidade. Absolutamente tudo é aprendizado.
E estou nessa fase de grande aprendizagem. Embora tudo esteja desmoronando por todos os lados, vejo que só tenho a agradecer, principalmente pela oportunidade de realmente aprender. Foram somente três meses, mas vividos intensamente. Amizades sinceras e aprendizado contínuo sobre humildade e respeito. Apesar de tudo, sinto que valeu a pena. Quando dizem que tudo vale a pena, parece sempre que é clichê demais, muito batido, mas é a pura verdade. Espero ter aprendido essa amarga lição, porque assim nada disso terá sido em vão.  
Agora é só juntar os cacos e ir adiante, vencer o desânimo, a falta de perspectivas e continuar, pois desistir é um ato de extrema covardia que espero nunca cometer.
Estou revendo todas as minhas prioridades de vida e tentando me reconstruir. Posso dizer que uma parte de mim foi embora ontem com os acontecidos e desejo ardentemente que tenha sido a parte ruim. Preciso e irei lutar contra meu leão do mal para continuar minha jornada e cumprir o meu destino.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Á ESPERA


Sinto que estou sempre esperando. Parece que nunca chega o meu momento. Nunca é a hora certa. Isso às vezes cansa. Esperar sempre esgota. Estressa. Ter a sensação de que falta algo, algum complemento para a vida causa inquietação na alma. Posso dizer que quero somente a minha outra parte, a minha verdade escondida, a qual não sei o que é nem onde se encontra, fatos que aumentam nossos abismos, tornando-a ainda mais desejada. A sensação não passa em nenhum momento. Tenho até a impressão de que aumenta a cada dia em vez de retroceder. Tento me alegrar, afinal seguindo a lógica, quanto mais espero, menos tenho que esperar. Mas cansa. Estar sempre a espera, sem muitas vezes ter a noção exata do que se está realmente esperando é angustiante. Devastador. Esperar, esperar, esperar um pouco mais. Até quando? Quando irei finalmente aproveitar a vida? A minha hora nunca chegará? Essas perguntas me atormentam cada vez mais. E as respostas me faltam. Isso esgota as forças, esvai as esperanças. Parece-me que somente eu tenho que esperar tanto assim. Vai surgindo uma irritação anormal, beirando a desespero. Não é muito fácil explicar. É uma sensação horrível. Como se estivéssemos em um aeroporto ou em uma rodoviária esperando por alguém sem conhecermos essa pessoa e sem possuir nenhuma plaquinha para identificação. Vemos uma quantidade interminável de aviões, ônibus, pessoas se encontrando, se despedindo, se abraçando, chorando, sorrindo, vivendo suas histórias, enquanto estamos estagnados, imóveis, apenas observando todos apressados, se esbarrando uns nos outros. E o que nos resta são perguntas e interrogações sem fim: será que quem procuramos está mesmo por aqui? Como o encontraremos? Mas afinal o que buscamos? Como encontrar algo que não conhecemos? É um beco sem saída, na verdade. Um abismo a nossa espera, em que estamos sempre dando um passo pra trás, retrocedendo, para não cair na imensidão sem fim. Algum dia talvez encontre. Ou não. Quem sabe. Viver é incerto demais. Enquanto não acho o que preciso vou andando, sempre a espera, sempre observando todos que passam, tentando encontrar o meu destino. Se o encontrarei não posso dizer, mas uma certeza interna mais forte e corajosa que eu me diz que sim, que também me esperam nalgum lugar e que nos esbarraremos em algum momento desta trilha meio desconexa. Enquanto isso não acontece, continuo a minha caminhada. E o único resquício de alegria é a incerta certeza de que nos esbarraremos em alguma esquina por essas estradas da vida. Há de acontecer.