O mundo está cada vez mais insano. As pessoas somente trabalham, trabalham, trabalham e não vivem, ou melhor, fazem do seu trabalho a sua vida, como se somente isso fosse suficiente para se viver.
A vida é valiosa demais e os seres humanos cada vez mais distantes de sua verdadeira origem se deixam levar pelas loucuras do mundo atual.
O tempo já não passa, voa na velocidade da luz, os dias simplesmente se escorrem e, na grande maioria das vezes, nem o vemos passar direito, de tão atarefados que estamos com as insanidades da vida.
As pessoas só pensam em ter cada vez mais e se perdem de si mesmas durante o processo aquisitivo.
O caminho é a vida, e tristemente estamos preocupados demais em chegar logo que os minutos se esvaem sem piedade alguma, sem nem ao menos podermos vislumbrar as magnitudes do universo. Afinal, não há tempo para isso, não há tempo para se viver.
As luzes se apagam, as cortinas se fecham e a vida se escorre por nossos dedos, enquanto estamos preocupados demais com as insanidades do mundo.
Trabalhamos, trabalhamos, depois trabalhamos mais um pouco. E pra que? Por quê? Somente para cumprirmos o papel imposto pelo mundo. A sociedade nos massacra com suas exigências descabíveis e caímos na sua rede de hipocrisias muitas vezes sem notarmos.
Consumimo-nos aos poucos, a cada dia. Temos que ser cada vez mais, ter cada vez mais, e no fim acabamos por não sermos absolutamente nada, apenas um vazio, uma extremidade oca.
E há algo a ser feito para mudar isso? Eis a pergunta-chave, libertadora. Mas a verdade é que nem todas as respostas nos são dadas, muitas vezes não possuímos resposta alguma e geralmente é quando mais precisamos.
Enquanto isso, apenas as insanidades vão crescendo, consumindo-nos cada dia um pouco mais até que estamos tão sufocados, tão enclausurados, que realmente não existe mais o que se fazer, ou melhor, apenas continuamos, mesmo sem respirar direito, mesmo com uma perna meio manca, mesmo sem viver.
Apenas seguimos em frente porque nos parece ser o melhor a ser feito diante de circunstâncias devassadoras. Continuamos trabalhando, trabalhando e trabalhando um pouco mais, enquanto a vida se perde sem vivermos-la.
Quem dera a chuva que cai lá fora nesse instante, limpando o céu e o solo, pudesse também lavar a alma dos homens, purificando-os e retirando-lhes todas as impurezas existentes. Com certeza, o mundo seria um poço de luz, esperança e amor, um local mais digno e menos cruel e, consequentemente, menos insano.