Sinto que estou sempre esperando. Parece que nunca chega o meu momento. Nunca é a hora certa. Isso às vezes cansa. Esperar sempre esgota. Estressa. Ter a sensação de que falta algo, algum complemento para a vida causa inquietação na alma. Posso dizer que quero somente a minha outra parte, a minha verdade escondida, a qual não sei o que é nem onde se encontra, fatos que aumentam nossos abismos, tornando-a ainda mais desejada. A sensação não passa em nenhum momento. Tenho até a impressão de que aumenta a cada dia em vez de retroceder. Tento me alegrar, afinal seguindo a lógica, quanto mais espero, menos tenho que esperar. Mas cansa. Estar sempre a espera, sem muitas vezes ter a noção exata do que se está realmente esperando é angustiante. Devastador. Esperar, esperar, esperar um pouco mais. Até quando? Quando irei finalmente aproveitar a vida? A minha hora nunca chegará? Essas perguntas me atormentam cada vez mais. E as respostas me faltam. Isso esgota as forças, esvai as esperanças. Parece-me que somente eu tenho que esperar tanto assim. Vai surgindo uma irritação anormal, beirando a desespero. Não é muito fácil explicar. É uma sensação horrível. Como se estivéssemos em um aeroporto ou em uma rodoviária esperando por alguém sem conhecermos essa pessoa e sem possuir nenhuma plaquinha para identificação. Vemos uma quantidade interminável de aviões, ônibus, pessoas se encontrando, se despedindo, se abraçando, chorando, sorrindo, vivendo suas histórias, enquanto estamos estagnados, imóveis, apenas observando todos apressados, se esbarrando uns nos outros. E o que nos resta são perguntas e interrogações sem fim: será que quem procuramos está mesmo por aqui? Como o encontraremos? Mas afinal o que buscamos? Como encontrar algo que não conhecemos? É um beco sem saída, na verdade. Um abismo a nossa espera, em que estamos sempre dando um passo pra trás, retrocedendo, para não cair na imensidão sem fim. Algum dia talvez encontre. Ou não. Quem sabe. Viver é incerto demais. Enquanto não acho o que preciso vou andando, sempre a espera, sempre observando todos que passam, tentando encontrar o meu destino. Se o encontrarei não posso dizer, mas uma certeza interna mais forte e corajosa que eu me diz que sim, que também me esperam nalgum lugar e que nos esbarraremos em algum momento desta trilha meio desconexa. Enquanto isso não acontece, continuo a minha caminhada. E o único resquício de alegria é a incerta certeza de que nos esbarraremos em alguma esquina por essas estradas da vida. Há de acontecer.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
domingo, 6 de novembro de 2011
DORES OCULTAS
Tenho notado que perdi totalmente o interesse e ânimo na vida. Não sei explicar, venho percebendo que tudo não faz o menor sentido. Até busco lutar contra esses sentimentos tão mesquinhos, mas é bem difícil não se deixar contaminar.
Ando mais triste que o normal, mais desanimada, mais injuriada do que seria aceitável e nem sei dizer as razões e nem mesmo se existem.
Tenho tido vontades arrebatadoras de chorar tão frequentemente que me assusta, aliás, tenho chorado muito mais ultimamente e aparentemente sem razão suficiente.
É algo definitivamente inexplicável sob todos os aspectos. A vida tem deixado a desejar na minha opinião e eu tenho a decepcionado igualmente.
E quando se chega nesse ponto lamentável de desgosto iminente torna-se quase insuportável as dores no estomago, as dores de cabeça e as demais distorções corporais.
Realmente não é fácil se perder pelo caminho. Se perder de si mesmo. Perder-se na imensidão das entranhas da vida. Quando penso quão fácil deveria ser tudo, mas não é, a gotícula de esperança que sempre sobra mesmo nos casos mais graves se dissipa lentamente.
A verdade é que acredito que complicamos demais com todas as nossas obrigações herdadas nem se sabe quando. A vida está aí, fornecendo a cada dia presentes maravilhosos a todos, sempre nos lembrando das maravilhas que existem e, principalmente, sempre nos indicando os tesouros inigualáveis que temos escondidos pelos cantos.
Mas, tristemente nem sequer nos damos conta de todas as magnitudes da vida, porque estamos mais preocupados com todas as injúrias e calamidades do mundo que vamos simplesmente deixando-nos levar dia após dia num andar solitário e angustiante de quem continua sempre em frente mesmo com todas as dores ocultas nos sufocando, simplesmente porque parece muito mais digno que sentar-se a reclamar de tudo.
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