PSIQUÊ: julho 2011

quarta-feira, 27 de julho de 2011

JOGO DA VIDA


É estranho pensar como são tristes e suntuosos os caminhos da vida. Por mais que você se esforce, sempre há coisas pendentes a serem resolvidas e aceitadas.
Nada é certo nesse mundo tão hostil e degradante. E embora seja até revigorante, certas vezes a realidade parece nos embriagar com suas exigências descabíveis. Estamos sempre nos descabelando com imprevistos e obrigações tantas que quando percebemos não se tem mais o que fazer.
Resolvi recentemente tornar-me amiga do tempo, embora sua hegemonia seja tão imperiosa. Mas mesmo assim não deu muito certo. Ele continua a me passar para trás descaradamente, sem piedade alguma. O tempo continua sempre em frente, impetuosamente, sem olhar para os lados. E nós, meros reféns de suas vontades, passamos por ele sem nem repararmos na crueldade com que tudo sempre acaba.
Não é de se estranhar mesmo que as pessoas todas perdidas e confusas se deixem levar por momentos de angústia profunda e se matem, alguns aos pouquinhos, outros instantaneamente.
Num mundo tão destrutivo e insano é até difícil nos deparar com pessoas sãs. Até estranho quando alguém parece “normal”, sem nenhuma entranha psicológica a se considerar. Realmente estão todos doidos nesse planeta, se deixam levar por todas as obrigações e exigências do mundo moderno, sempre buscando por redenção, lutando para conseguir coisas mundanas, como se assim fossem realmente ser felizes.
Tenho até pena de todos nós humanos que nos deixamos levar pelos emaranhados cruéis das aparências, sem nem ao menos nos rebelar ou lutar por uma vida em liberdade.
Por que afinal não somos livres. Estamos desde os tempos mais longínquos lutando por ela, mas nunca a possuímos e jamais a teremos verdadeiramente. Sempre haverá algo a nos prender, as aparências, os costumes, a realidade cruel e desoladora. Espero que nalgum tempo possamos finalmente lutar e sair vitoriosos perante esse jogo da vida.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

À PROCURA


Não sei o que quero da vida. Achei que já tinha passado dessa fase de tantas dúvidas a respeito do caminho que devo seguir, mas parece que não. Novamente as mesmas indagações de outrora me sufocam, me deixam sem ar e não tenho as respostas. Somente dúvidas e mais dúvidas me cercam, dominando todo o meu ser.
            O que fazer daqui pra frente? Qual o melhor caminho? Perguntas que tanto me atormentaram no passado recente continuam a me amedrontar, tirando meu sono. Ainda não superei, não sei as escolhas, não consigo decidir. E é sempre tão angustiante essa realidade.
Preciso saber a direção a ser seguida, não gosto de ir me levando ao léu sem saber o destino. É importante pra mim saber o que quero, pra onde vou, quais as oportunidades e as saídas existentes. É realmente desagradável não saber. O que faço, o que deixei de fazer, o que farei, tudo é essencial para meu viver. O presente, o passado e o futuro é o que sou, o que fui, o que tornou assim e o que me transformará. Todos esses tempos são fundamentais para minha análise de vida.
Valeu a pena? É esse o caminho? São perguntas inevitáveis em minha cabeça e essa minha busca de não sei o que vive atormentando meus sonhos. Preciso encontrar meu caminho, meu destino. Estará aqui ao meu lado? Aqui tão perto? Ou se encontra bem pra lá, do outro lado da ponte? Preciso descobrir minha verdade. Preciso encontrar o que procuro, que apesar de não saber o que é, o sei bem. Terei de reconhecê-lo quando chegar o momento certo.
Enquanto isso, vou seguindo sempre em frente. Indo rumo ao desconhecido, mas sei que de alguma forma o encontrarei e que quando for a mim revelado será melhor que todas as minhas doces lembranças e mais mágico que todas as minhas memórias.
Apesar de meus passos serem meio pequenos, sei que encontrarei o que tanto busco, para enfim me libertar dessas loucas indagações atormentadoras. Acredito que está me esperando e que nos encontraremos na hora certa. Enquanto isso, só espero, e vou vivendo como dá. Nem sempre é fácil, muitas vezes é desanimador, mas continuarei até o fim, até conseguir encontrar essas respostas tão mágicas que estou a procurar.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

SOBRE NOSTALGIA


Tem dias que fico assim. Meio assim. Deixo-me embalar pelas canções suaves do passado, que me torturam e encantam simultaneamente. E não me venha exigir explanações, é algo simplesmente inexplicável.
O saudosismo me invade tão intensamente que me arremata deixando apenas uma tristeza profunda, um vazio doloroso no peito. Fico tão arrebatada por todas as lembranças esmagadoras que surgem, simplesmente porque sei que algumas coisas jamais irão acontecer novamente.
E perceber que elas estarão somente em minhas doces lembranças, ou no máximo, registradas em algumas fotografias amareladas escondidas em algum lugar no armário, dói, me devasta completamente.
Quando as noites nostálgicas me dominam, fazendo-me recordar de todas as proezas incríveis pelas quais já passei, mostrando-me todas as pequenas lembranças encantadoras da minha breve vida, as coisas ficam estranhamente complicadas. Dolorosamente intrincadas.
Bem que poderíamos reviver sempre os nossos melhores momentos, a qualquer hora que quiséssemos. Assim, todas as nossas saudades já não nos poderiam atormentar, mas as coisas nem sempre são perfeitas.
Sei que, na verdade, deveria ficar imensamente feliz por tudo, por ter tido a oportunidade de viver todos esses momentos plenos de felicidade, mas não consigo me alegrar verdadeiramente, porque o tempo sempre implacável me mostra que nada jamais será igual, jamais viveremos novamente a mesma situação, da mesma forma, com a mesma intensidade, simplesmente porque as coisas mudam. Nós mudamos. Jamais voltaremos a ser os mesmos daqueles instantes extraordinários.
E o que fica das noites nostálgicas não é somente a vontade de voltar no tempo pra viver pelo menos mais uma vez aqueles momentos incríveis que algum dia tivemos. O que atormenta mais é incerteza do futuro. Nós sabemos de todos os instantes esplêndidos do passado e por isso mesmo essa nostalgia aterradora. E o que resta é somente uma questão, a pergunta decisiva e que tanto inquieta meu tênue coração: Será mesmo que dias melhores virão? Espero que sim. Suplico que sim.